{"id":4211,"date":"2026-11-03T17:57:59","date_gmt":"2026-11-03T17:57:59","guid":{"rendered":"https:\/\/estadaorondonia.com.br\/?p=4211"},"modified":"2026-11-03T17:57:59","modified_gmt":"2026-11-03T17:57:59","slug":"manifestantes-ocupam-pracas-em-portugal-por-direito-a-moradia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/estadaorondonia.com.br\/?p=4211","title":{"rendered":"Manifestantes ocupam pra\u00e7as em Portugal por direito \u00e0 moradia"},"content":{"rendered":"<div>\n<p><strong>O aumento do custo de vida e, principalmente, do pre\u00e7o dos alugu\u00e9is e\u00a0de im\u00f3veis para venda em Portugal gerou uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. Os protestos come\u00e7aram com a ocupa\u00e7\u00e3o de uma pra\u00e7a na cidade do Porto, h\u00e1 tr\u00eas semanas, onde os manifestantes montaram tendas.<\/strong><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?id=1707588&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?id=1707588&amp;o=node\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p><strong>Dias depois, uma ocupa\u00e7\u00e3o semelhante foi iniciada na Pra\u00e7a do Rossio, conhecido ponto tur\u00edstico da capital portuguesa, Lisboa.<\/strong> As chamadas \u201cacampadas\u201d geraram rea\u00e7\u00f5es violentas da pol\u00edcia, que fizeram opera\u00e7\u00f5es para desmontar \u00e0 for\u00e7a os acampamentos, sob a alega\u00e7\u00e3o de que eles estavam instalados ilegalmente em \u00e1rea p\u00fablica.<\/p>\n<p>Relatos divulgados nas redes sociais e por parlamentares portugueses denunciam les\u00f5es sofridas por alguns manifestantes.<\/p>\n<p>Isso n\u00e3o impediu que as tendas fossem remontadas depois de cada investida da for\u00e7a policial portuguesa. <strong>Nesse fim de semana, o Tribunal Administrativo de Lisboa autorizou a perman\u00eancia da ocupa\u00e7\u00e3o da Pra\u00e7a do Rossio at\u00e9 o dia 24 de novembro.<\/strong><\/p>\n<p>Comerciantes de Lisboa demonstram preocupa\u00e7\u00e3o com os impactos no com\u00e9rcio da regi\u00e3o e tamb\u00e9m com a realiza\u00e7\u00e3o de um mercado de Natal, que est\u00e1 previsto para ser montado na Pra\u00e7a do Rossio, a partir do dia 14 de novembro.<\/p>\n<h2>Custo da moradia<\/h2>\n<p>De acordo com o portal Pordata, mantido pela Funda\u00e7\u00e3o Francisco Manuel dos Santos, <strong>o custo da habita\u00e7\u00e3o em Portugal subiu 41,5% de 2020 a 2025<\/strong>. Foi o maior aumento de toda a Uni\u00e3o Europeia, que teve uma alta m\u00e9dia de 3,2% no per\u00edodo. A Gr\u00e9cia, que aparece em segundo lugar, no <em>ranking<\/em> do Pordata, por exemplo, teve um aumento de pre\u00e7os de 37,8%.<\/p>\n<p>Um relat\u00f3rio divulgado pelo Conselho Europeu, em parceria com o Deustche Bank, no final do ano passado, mostrou que o aluguel de um im\u00f3vel em Lisboa custa em m\u00e9dia 116% do sal\u00e1rio m\u00e9dio de um habitante da capital portuguesa. \u00c9 a \u00fanica das 22 cidades pesquisadas (incluindo v\u00e1rias capitais, como Paris, Roma, Madri e Berlim) onde um rendimento m\u00e9dio \u00e9 insuficiente para pagar aluguel.<\/p>\n<p>De acordo com o mesmo estudo, o ideal \u00e9 que os alugu\u00e9is representem, no m\u00e1ximo, 30% dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>A ativista brasileira Priscila Valad\u00e3o, que tamb\u00e9m \u00e9 cidad\u00e3 portuguesa, \u00e9 uma das porta-vozes do movimento das acampadas. Ela emigrou para Portugal h\u00e1 12 anos e sentiu na pele a dificuldade de encaixar o aluguel no or\u00e7amento mensal.<\/p>\n<p>\u201cNo centro de Lisboa, voc\u00ea n\u00e3o consegue encontrar um apartamento tipo<em> loft<\/em>, que a gente chama aqui de T0, por menos de 1.500 euros, sendo que \u00e9 o sal\u00e1rio m\u00ednimo portugu\u00eas \u00e9 920 euros. Ent\u00e3o, \u00e9 simplesmente imposs\u00edvel uma pessoa morar na cidade\u201d, destaca.<\/p>\n<p>Mesmo hoje, depois de mais de uma d\u00e9cada em Portugal,\u00a0Priscila ainda precisa lan\u00e7ar m\u00e3o de estrat\u00e9gias para conseguir pagar a loca\u00e7\u00e3o. Atualmente, ela vive longe do centro de Lisboa, onde divide um im\u00f3vel com outra pessoa.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA grande maioria das pessoas acaba indo morar num quarto. N\u00e3o existe outra maneira de voc\u00ea viver em Lisboa. Isso tamb\u00e9m se estende para a periferia da cidade. Posso dar o meu exemplo. Eu moro hoje com uma menina jovem. Eu tenho que dividir casa porque n\u00e3o tenho condi\u00e7\u00e3o de pagar uma casa sozinha. E, mesmo assim, moro na periferia da cidade, na regi\u00e3o metropolitana.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Segundo ela, <strong>os brasileiros, assim como muitos imigrantes, acabam tendo mais dificuldades do que os pr\u00f3prios portugueses de conseguir uma moradia.<\/strong><\/p>\n<p>\u201cDoze anos atr\u00e1s, eu j\u00e1 via pessoas falarem que os donos dos im\u00f3veis, quando ouviam pelo telefone, que [o potencial locat\u00e1rio] era um brasileiro, desligavam o telefone e falavam que o apartamento j\u00e1 estava alugado. E era mentira&#8221;,\u00a0conta.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m ouvia relatos de que uma das condi\u00e7\u00f5es [para alugar para brasileiros] era pedir 12 rendas [alugu\u00e9is] adiantadas para que\u00a0conseguisse dar entrada no apartamento. E est\u00e1 cada vez pior, com a crescente xenofobia e racismo que t\u00eam acontecido no nosso dia a\u00a0dia\u201d, ressalta Priscila, que tem recebido in\u00fameras amea\u00e7as por seu envolvimento com as manifesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Segundo a Ag\u00eancia para a Integra\u00e7\u00e3o, Migra\u00e7\u00f5es e Asilo (Aima) portuguesa, os brasileiros s\u00e3o a maior comunidade estrangeira naquele pa\u00eds, com 493 mil pessoas, ou seja, um ter\u00e7o do total de imigrantes em Portugal e 4% da popula\u00e7\u00e3o total do pa\u00eds (11,4 milh\u00f5es).<\/p>\n<p>Esse n\u00famero n\u00e3o considera aqueles com dupla nacionalidade, portanto o total de brasileiros vivendo no pa\u00eds europeu \u00e9 ainda maior. A Embaixada do Brasil em Lisboa informou que \u201cacompanha atentamente as manifesta\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Priscila Valad\u00e3o explica que, entre os motivos para o aumento do custo com habita\u00e7\u00e3o em Portugal, est\u00e3o a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, principalmente relacionada com fundos de investimento estrangeiros, e a destina\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis a hospedagens tempor\u00e1rias para turistas.<\/p>\n<p>Investidores brasileiros, ali\u00e1s, fazem parte do problema da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, segundo Priscila. A restri\u00e7\u00e3o \u00e0 compra de im\u00f3veis por fundos imobili\u00e1rios \u00e9 uma das demandas dos participantes dos protestos.<\/p>\n<p><strong>Os manifestantes tamb\u00e9m criticam a nova lei sobre alugu\u00e9is (chamados de \u201crendas\u201d ou \u201carrendamentos\u201d em Portugal), que est\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o no Parlamento e que pode tornar ainda mais dif\u00edcil a vida de quem precisa alugar im\u00f3vel para ter onde morar.<\/strong><\/p>\n<p>Entre as mudan\u00e7as propostas pelo Novo Regime de Arrendamento Urbano est\u00e3o a redu\u00e7\u00e3o do tempo para despejos, o fim do limite de 2% para reajustes nos contratos, o aumento do valor do dep\u00f3sito-cau\u00e7\u00e3o e a possibilidade de recusa, pelo propriet\u00e1rio, de uma renova\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do contrato.<\/p>\n<p><strong>Os manifestantes pedem tamb\u00e9m amplia\u00e7\u00e3o da oferta de habita\u00e7\u00e3o p\u00fablica (constru\u00edda e oferecida pelo Estado portugu\u00eas) e a transforma\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios p\u00fablicos e privados vazios em moradias populares.<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 ainda reivindica\u00e7\u00f5es sobre controle da infla\u00e7\u00e3o e aumentos de sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo o primeiro-ministro de Portugal, Lu\u00eds Montenegro, o governo tem um plano de investimento em habita\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e de \u201cdinamiza\u00e7\u00e3o\u201d de im\u00f3veis privados.<\/p>\n<p>O total de investimentos previstos para o setor \u00e9 de 10 bilh\u00f5es de euros. Entre as pol\u00edticas anunciadas por Montenegro est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o de 133 mil resid\u00eancias, financiadas pelo or\u00e7amento da Rep\u00fablica e pelo Banco Europeu de Investimentos.<\/p>\n<p>No fim de outubro, ele disse que a lei das rendas tem que ser boa para os propriet\u00e1rios e para os inquilinos. \u201cUm justo equil\u00edbrio que exige coragem, exige altera\u00e7\u00e3o, modifica\u00e7\u00e3o. \u00c9 isso que estamos a fazer. Acredito que estas novas regras, uma vez entradas todas em vigor e em funcionamento, v\u00e3o promover maior capacidade de as pessoas verem o seu problema resolvido.\u201d<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m no fim de outubro, o ministro da Presid\u00eancia, Ant\u00f3nio Leit\u00e3o Amaro, afirmou que o governo est\u00e1 executando \u201co maior programa de habita\u00e7\u00e3o das \u00faltimas d\u00e9cadas\u201d, que combina apoios \u00e0 compra e \u00e0 loca\u00e7\u00e3o de im\u00f3veis, com incentivos \u00e0 constru\u00e7\u00e3o e medidas destinadas a colocar no mercado casas atualmente vazias.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><br \/>\n            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2026-11\/manifestantes-ocupam-pracas-em-portugal-por-direito-moradia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer nofollow\">agenciabrasil.ebc.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O aumento do custo de vida e, principalmente, do pre\u00e7o dos alugu\u00e9is e\u00a0de im\u00f3veis para venda em Portugal gerou uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es no pa\u00eds. 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